4 de outubro de 2017

Entre o Sono e o Sonho - 2017

 
Como vem sendo habitual todos os anos, 
a Chiado Editora reuniu mais de mil poemas e lançou a Antologia deste ano
 
ENTRE O SONO E O SONHO - VOL VIII
 
tal como no ano passado, o lançamento foi no Tivoli, em Lisboa
 
 

Participei desta vez com o Poema 'Asas' dedicado à imaginação das crianças


Asas

Era apenas uma menina, pequenina,
mas com mil sonhos, fantasias
Queria voar, queria ter asas
chegar onde chegam as borboletas
onde chegam as gaivotas
Acompanhar os rouxinóis e cantar com eles
de flor em flor, de árvore em árvore
até de nuvem em nuvem!
Ver o mundo grande, pequenino
ver a sua mão pequena agarrar o mundo grande
seguir as cores do arco iris
e escorregar no amarelo
baloiçar no violeta,
e descobrir quem o pintou!
Brincar com o vento
que não estava ocupado
queria soprar as ondas
e as velas de um barco…
Mas um dia a menina, pequenina,
cresceu, e percebeu:
Nunca iria ter asas…
Sem sorriso, a sua fantasia morreu
o seu mundo desabou, escureceu
Até que, quase por acaso,
pegou num lápis e escreveu
Todas as viagens que fizera a sonhar
Escreveu, escreveu, escreveu
até a sua mão adormecer
E então, aquelas asas
aquelas que nunca tinha tido
pela sua mão, voltaram a nascer!
 
 




19 de agosto de 2017

Incêndio no Louriçal

http://pt.blastingnews.com/pais/2017/08/incendio-no-lourical-um-inferno-na-beira-001940689.html


O Incêndio no Louriçal do Campo – Um Inferno na Beira
 
Cheguei ao Louriçal no Domingo à noite, dia 13 de Agosto.
Louriçal do Campo é uma pequena freguesia de Castelo Branco, uma pacata aldeia com cerca de 600 habitantes, à beira da Serra da Gardunha.
Nesta data, o fogo estava no alto da serra e ameaçava a aldeia de S. Vicente.
Embora com o fogo a delinear a Gardunha, a noite foi tranquila aqui.
Na manhã de segunda-feira podia ver-se ainda o fumo que decorava o horizonte, mas, à medida que a tarde caía, os tons de cinzento iam desaparecendo, e davam lugar a pequenos focos vermelhos, que pareciam avançar no caminho.
Ainda assim, foi também uma noite sem grande alarme.
Na terça-feira de manhã existiam duas colunas de fogo que pareciam querer descer na direcção do Louriçal.
O helicóptero, que penso ser da Protecção Civil, sobrevoou-os, avaliou-os, e fiquei com a ideia que foi este que chamou os seguintes meios de combate. Pouco depois, dois helicópteros e quatro aviões, chegavam com os seus depósitos de água e, toda a manhã, andaram num vai e vem entre a barragem da Marateca e a serra da Gardunha.
Uma, do lado esquerdo, pareceu ter sido resolvida com facilidade. Mas a da direita descia mais depressa, e foi nessa que, praticamente, esses meios se concentraram na sua totalidade.
Com tanta água que foi lançada naquelas zonas, nada fazia prever o que se seguiria…
Mais uma vez, foi com o cair da tarde que tudo se complicou.
Mas desta vez, a forma como o vento começou a soprar, a sua força, foi algo de surreal!
Nada parecia parar a forma como o fogo era empurrado pela ventania, e de nada valeu a velocidade com que os meios de combate, aviões e helicópteros, enchiam e despejavam os depósitos de água.
Aquela tempestade, de vento e lume, era incontrolável!
Depressa o céu se fez negro. As ruas tornaram-se irrespiráveis e os meios de combate já pouco conseguiam ver à sua frente.
O fogo chegava à vila do Louriçal!
Muitas pessoas começaram a pegar nos carros para sair da aldeia, muitos vieram buscar os seus velhotes, e muitos outros pegaram nas mangueiras e começaram a regar tudo à volta das suas casas e quintais.
O fogo chegava perto, muito perto, de tudo e de todos.
A luz falhou, e a água quase não corria…
Foram horas de aflição, de terror, durante as quais se combateu o fogo quase às cegas, quase sem oxigénio, mas com muita garra e muita fé!
Sou sincera, não vi, nesta tarde, nenhum veículo dos bombeiros. Sei também que foram muitas as pessoas que defenderam os seus próprios bens. Se tivessem fugido, hoje as suas casas seriam como a paisagem circundante: um monte de cinzas!
Ouvi queixas da falta de ajuda dos meios competentes, do desconhecimento destes de caminhos na serra onde podiam ter ‘cortado’ o fogo…
Criticas, não sei se justas ou não… Mas a verdade é que, o inferno que eu vi aproximar-se podia ter tido consequências muito piores do que as que teve.
Pela meia-noite o vento já quase não soprava, o fumo dissipava-se, e a população acalmava.
Ao fundo conseguia ver o velho colégio de S. Fiel a arder…
Fiquei ainda alguns minutos, sobre um cabeço, a vê-lo. Ali ardia História, vidas, ensino, tradição…
Pouco se consegue dormir numa noite destas. Nem o cansaço consegue vencer o ritmo acelerado do coração, que teima em reviver aquele inferno, vezes sem conta, na nossa memória.
E, assim, depressa nasce o dia e deparamos com aquilo que Dante deixou…
Quase toda a vila se encontrava rodeada por tons de negro, perto, bem perto de muitas casas…
Em alguns locais ainda havia fumo, para além de cinza…
Muitos perderam as suas hortas, o seu ‘chão’ como chamam, e aqui literalmente.
Pude ver também, que muitos sobreiros resistiram… Talvez o país devesse olhar mais para isso e pensar, pensar no tipo de árvores que anda a valorizar em prejuízo de outras.
A caminho de São Fiel a paisagem é também desoladora.
O Colégio de São Fiel foi criado em 1852 pelo Padre Franciscano Frei Agostinho da Anunciação, com o fim de acolher crianças órfãs e pobres da região. Foi uma das mais prestigiadas instituições de ensino em Portugal, primeiro a cargo dos Jesuítas e depois como Reformatório. Embora já tivesse encerrado completamente a sua actividade, e até sido deixado ao abandono, verem-no arder veio despertar alguma tristeza nos habitantes do Louriçal, e talvez alguma consciência nalguns governantes…
Da Igreja, colada ao colégio, também pouco sobrou do seu interior, apenas a pedra que a erguia.
Pela primeira vez acompanhei um fogo assim de tão perto. Testemunhei que, por vezes, não há realmente meios que travem a força brutal do vento e do lume. Que, muitas vezes, são os próprios habitantes, arriscando a sua vida, que defendem as suas casas e os seus bens. E que são necessárias medidas implacáveis, tanto para prevenir estes grandes fogos, como para castigar quem os provoca.
E não podemos aceitar apenas boas intenções, nem ficar pelas visitas de cortesia.
Como dizem na Beira: Bem-hajam, 'Cucos', pela vossa força e coragem!

7 de agosto de 2017

REVISTA PROGREDIR

No mês passado convidaram-me a escrever para a Revista Progredir de Julho

O tema era a 'Paciência'

 
 

 
 
Podem ler a Revista
 
e o meu artigo ( pag 44 a 47 )
 
no Facebook da Progredir,
 
ou através do link:
 


Espero que gostem!

Eu gostei muito de o escrever e aguardo mais convites!!!

;)

21 de julho de 2017

Sobre Tatuagens...

 
Do colorir o corpo a... ‘digitaliza-lo’
 
 
 

 
Dentro do espírito das férias, resolvi fazer uma tatuagem... Mas uma  removível, pois das definitivas ainda não encontrei 'aquela' que me convencesse ‘até à eternidade’... :)
E, como vocês sabem, gostando eu de ‘investigar’ a origem das coisas, lembrei-me de conhecer a História desta pintura corporal mais a fundo.
Parece então que a prática de marcar o corpo é tão antiga quanto a própria humanidade.
O registo mais antigo foi encontrado no chamado ‘Homem do Gelo’, uma múmia
com uns 5300 anos, descoberta nos Alpes em 1991.
No Egito encontraram-se múmias femininas, datadas de 2000 anos a.C., com tatuagens na zona abdominal, provavelmente ligadas a cultos de fertilidade.
Mas esta prática estendeu-se por todos os continentes, embora com diferentes finalidades: ornamentação, camuflagem, rituais religiosos, marcação de escravos e prisioneiros, como identificação de grupos sociais, etc.
No Ocidente, acabou por cair em desuso com o cristianismo, que a proibiu.
Voltou com James Cook, que, na sua sua expedição à Polinésia, relatou a tradição deste povo, homens e mulheres, de pintarem o seu corpo, injetando pigmento preto, ao qual chamavam ‘tatau’ :)
Também Charles Darwin, cem anos depois, chegaria à conclusão, nos seus estudos, que todos os povos da Terra tinham conhecido a tradição das tatuagens.
Com a invenção da máquina de tatuar, esta pintura espalhou-se em maior escala, tornando-se até moda para alguns.
Se já tinham sido um culto, para muitas mulheres, em sociedades da Antiguidade, no século XX  não eram bem vistas no sexo feminino. Quem as fizesse era olhada como uma ‘atracção circense’, literalmente, e colocada até em exposição ao publico.
Horrível, mas verdade!
Por longos anos foram um símbolo de desvio e de rebeldia, até que as Pin-ups lhes deram outro significado: rebeldes sim, mas também feministas e donas do seu próprio corpo!
Uma das mulheres que mais 'marcou', em todos os sentidos :), a História da Tatugem foi Maud Stevens.
Ela nasceu  nos Estados Unidos em 1877 e começou por trabalhar em Circos como contorcionista e trapezista.
Com quase trinta anos conheceu Gus Wagner, um tatuador que se descrevia como 'o homem artisticamente mais marcado da América'. Tinha na altura 264 tatuagens.
Apaixonaram-se, casaram-se, e tiveram uma filha: Lovetta.
O casal, usando a técnica artesanal ponto por ponto, percorreu o país como tatuadores, mas também como atracções de espectáculos burlescos, em feiras e casas de jogo.
Maud, que também se tatuava a si própria, tinha o corpo coberto de desenhos patrióticos, e outros típicos da época, como borboletas, cavalos, leões, mulheres, árvores, e até o seu nome no braço esquerdo.
Interessante é que Maud, apesar de cobaia do marido, nunca permitiu que este tatuasse a filha, e quando este morreu, Lovetta decidiu que se não tinha sido tatuada pelo pai não o seria por mais ninguém!
Mas também se tornou tatuadora.
 
Imagem da Internet

Hoje em dia a tatuagem pode ser um simples desenho ou ter dezenas de cores, cobrir o corpo de preto, ser 3D ou até mesmo só brilhar no escuro.
Mas o seu futuro vai mais longe: várias empresas estão a criar aplicativos para tatuagens digitais. Trata-se de um dispositivo eletrónico, ultrafino, que adere à pele ou é inserido debaixo dela.
As suas possibilidades são muitas e variadas, nomeadamente no campo da saúde, possibilitando o acompanhamento do estado de saúde de um doente em tempo real, e até de permitir a conexão com dispositivos eletrónicos apenas com uma ordem do cérebro.
Um dia, talvez mais cedo do que pensa, a sua máquina de café começa a trabalhar assim que você acorda, e o seu telemóvel vai ficar no 'silêncio' pois detetou que você está concentrado... Ou a fazer algo mais interessante e não quer ser incomodado! ;)
 
 
Imagem da Internet
  
 
 

23 de maio de 2017

Depois de 'MANCHESTER'

(Dedicado a todas as vitimas)
 
 
E o mundo... fechou!

 O sol brilhava lá fora

 mas não aquecia ninguém,

 a lua cintilava

 mas não inspirava ninguém,

 As ruas ficaram desertas

os poetas morreram, a música calou-se

 ouvia-se apenas o silêncio

 o som do silêncio,

e o vazio...

 Trancaram-se as portas e fecharam-se as janelas,

os jardins pediam os risos das crianças

mas só o vento agitava os seus baloiços

 os teatros, os cinemas, as lojas

só o vento passava por elas...

A poeira cobria pontes e estátuas

a ferrugem outras tantas coisas

 teias, tal cortinados esfarrapados,

 decoravam becos desabitados...

 Os animais partiram

as andorinhas não voltaram

não mais se ouviu o canto do rouxinol

nem o miar do gato no quintal...

 O avô contava histórias do passado

 quando passeava na cidade

quando brincava com o cão

lendas, que ninguém acreditava...

E o bombista suicida, deambulava só

já não tinha uma multidão

não suportou a solidão

 carregou no botão

 e morreu sozinho!


7 de maio de 2017

Lançamento do livro MULHER POEMA

Hoje, dia 7 de Maio, dia da Mãe, foi o lançamento do livro MULHER POEMA

Neste pequeno livro participei com um poema e com um desenho:




  Carta a três Mulheres


 Quem foste tu

 minha grande antepassada

 de outro século,

 de outra vida?

 Uma vida escrava,

 serva, silenciosa,

 ...ou uma rebelde do seu tempo?

 E tu, minha mãe,

 o convento não era para ti,

 mas a liberdade pouco foi também.

 No tempo da outra Senhora

 não te deixaram ser quem querias,

 sociedade de tabus,

 de garanhões apressados,

 que desafiavam touros,

 mas vos rasgavam as saias justas,

 que combatiam na guerra

 mas batiam nas mulheres...

 E vocês, no vosso prazer fingido,

 - mas não muito -

 eram mães,

 pois assim mandava a Igreja,

 limpavam a casa,

 pois assim mandavam

 os viris chefes de família,

 …e ali acabava o vosso mundo,

 o mundo permitido.

 Mas tu, minha filha,

 podes voar!

 Porque nós lutámos por ti,

 usámos mini-saia e tampax,

 fumámos, votámos,

 conquistámos a universidade

 e a pílula,

 militarizámos, dissemos ‘não’,

 e reapropriámos o nosso corpo!

 Não somos mais o segundo sexo,

 morremos e tornámos a nascer.

 Não queremos mais

 um pequeno mundo,

 passamos-te o testemunho

 e agora a corrida é tua:

 Um pequeno mundo?

 Não, se já fomos deusas

 e amazonas,

 podemos com certeza

 ser astronautas,

 montar numa estrela,

 e conquistar o universo!












O meu desenho não foi o escolhido para a capa, mas está a ilustrar uma das páginas do livro